Por causa de um mosquito: distopia, capitaloceno e anarquia ontopolítica em Dengue Boy, de Michel Nieva
Resumo
Este artigo analisa Dengue Boy, de Michel Nieva, como uma inflexão decisiva na distopia latino-americana contemporânea, ao articular o insólito como princípio ontopolítico de resistência ao Capitaloceno. A partir da figura d’A Grande Anarca, o romance desloca modelos distópicos baseados na passividade ou na mera sobrevivência, propondo, em seu lugar, uma reinvenção radical da agência por meio da anarquia, entendida não como caos, mas como força utópica de reorganização da vida. O texto examina a convergência entre virofinança, necropolítica e economia especulativa no Sul Global, bem como a dissolução de temporalidades lineares em favor de uma concepção do tempo anárquica, não hierárquica e multiespécie. Dialogando com teorias do anarquismo (Laurence Davis), do Cthuluceno (Donna Haraway) e com cosmogonias onto-epistêmicas não hegemônicas, o artigo sustenta que o insólito em Dengue Boy opera como um dispositivo crítico capaz de imaginar alternativas revolucionárias à organização planetária capitalista, reconfigurando as relações entre o humano, o não humano, o vivo e o não vivo.
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