O Pampa no fim do mundo: poéticas negativas do Sul distópico em “Bugônia”, de Daniel Galera, e A extinção das abelhas, de Natalia Borges Polesso
Resumo
Neste artigo, analiso as narrativas “Bugônia” (2021), de Daniel Galera, e A extinção das abelhas (2021), de Natalia Borges Polesso, como distopias pós-apocalípticas da literatura contemporânea do Rio Grande do Sul. A partir de uma perspectiva do Sul Global, investigo como essas obras constroem um imaginário distópico ancorado no espaço do Pampa, entendido tanto como bioma quanto como território simbólico, no qual o colapso ambiental e social aparece como continuidade de processos históricos já vividos. Em diálogo com a noção de distopia crítica, com a ecocrítica e com reflexões de autoras como Donna Haraway e Anna Tsing, argumento que essas narrativas deslocam o foco do fim do mundo para experiências localizadas de sobrevivência e reinvenção da vida. Destaco, ainda, a centralidade de anti-heroínas que articulam modos de coexistência baseados no cuidado, na interdependência e nas alianças multiespécies, figurando o Sul pós-apocalíptico como espaço de ruína e, simultaneamente, de imaginação de futuros possíveis.
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