Monstruosidade, corpos e fronteiras: figurações do duplo no filme Us, de Jordan Peele
Resumo
Este trabalho analisa o filme Us (2019), de Jordan Peele, a partir da figura do duplo como operador estético e político da distopia. Em diálogo com Quem canta o Estado-nação?, de Judith Butler e Gayatri Spivak, investiga-se como o pronome “nós”, inscrito no título do filme, desestabiliza noções naturalizadas de pertencimento nacional. A narrativa projeta no presente as ruínas da democracia liberal, expondo fronteiras físicas e simbólicas que produzem sujeitos “sem-estado” no interior da nação. Mobilizando ainda as reflexões de Clément Rosset sobre ilusão, duplicação e recusa do real, o artigo lê a monstruosidade como efeito da emergência do excluído e da falência das promessas utópicas de unidade. Ao recuperar o evento Hands Across America como paródia antiutópica, o filme transforma o imaginário da coesão nacional em imagem de violência coletiva. O insólito, assim, funciona como crítica ao presente, revelando a distopia não como futuro distante, mas como condição estrutural do agora.
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