Hipo-utopias hauntológicas: estranhamento territorial e o insólito no cinema distópico latino-americano
Resumo
A partir dos diagnósticos de Franco Berardi (2019) sobre o “lento cancelamento do futuro” e de Mark Fisher (2020) acerca do bloqueio de horizontes imposto pelo “realismo capitalista”, investiga-se como essas condições culturais se manifestam na representação do futuro no cinema distópico latino-americano. Para isso, analisa-se um corpus fílmico composto por Branco sai, preto fica (2014), O último azul (2025) e El eternauta (2025). Articula-se a teoria de Wilson Ferreira (2015) sobre a “hipo-utopia” à perspectiva de Fisher (2022) acerca da “hauntologia” para investigar como tropos da distopia são mobilizados de forma alegórica, produzindo o que este artigo denomina “estranhamento territorial” — desterritorializações ficcionais que remetem a eventos históricos violentos da América Latina, em uma operação hauntológica na qual o passado assombra a imaginação do futuro. Por fim, examina-se como a inserção do insólito na realidade distópica — em aproximação com o realismo mágico — pode traçar brechas heterotópicas (Focault, 2013) que reabrem a futurabilidade (Berardi, 2017; Gatto, 2018).
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