Rede de desinformação no YouTube:
as queimadas na Amazônia em 2019
DOI:
https://doi.org/10.1590/Palavras-chave:
Amazônia, Desinformação, Desmatamento, Queimadas, YouTubeResumo
Entre agosto e outubro de 2019, a Amazônia ocupou posição de destaque na imprensa e nas mídias sociais devido aos incêndios que assolavam a maior floresta tropical do mundo. A divulgação de dados do INPE, que apontavam o aumento das queimadas e do desmatamento, afetaram a imagem do governo federal brasileiro (Administração Bolsonaro) em relação às políticas ambientais. Em resposta, o governo adotou medidas de retaliação contra o INPE e outros órgãos de proteção ambiental. Nesse contexto, o YouTube assumiu um papel central na disseminação de (des)informações sobre os crimes ambientais na Amazônia e em outros biomas, tornando-se palco de disputas entre atores que buscavam influenciar a opinião pública e demarcar posições ideológicas. O presente estudo mapeia e analisa a rede de desinformação sobre a Amazônia que se formou no YouTube entre agosto e outubro de 2019 e as estratégias utilizadas pelos agentes divulgadores de desinformação. Por meio da Cartografia de Controvérsias, este estudo mapeou os principais atores envolvidos no debate sobre a Amazônia e os argumentos por eles defendidos. Os resultados demonstraram que a desinformação foi utilizada como arma retórica por canais de extrema-direita alinhados ao governo Bolsonaro, visando proteger a imagem do governo, enfraquecer instituições e legislações de proteção ambiental. Constatou-se também que a desinformação ocupou espaço predominante entre os vídeos mais visualizados, indicando que a falta de regulamentação e as políticas de moderação de conteúdo do YouTube não têm sido eficazes para coibir a disseminação de informações falsas na plataforma.
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