"Isto não é um filme" de Jafar Panahi: a denúncia contra censura pela metanarrativa
Abstract
O artigo discute a estética do cinema de Jafar Panahi que, proibido de fazer filmes, adota a metanarrativa como estratégia de linguagem e de denúncia do sistema político. Objetiva-se, assim, refletir sobre o cinema que radicaliza o tensionamento das fronteiras entre ficção e não ficção, tanto como forma de denunciar a injustiça da qual o autor é vítima, quanto para problematizar os limites da narrativa cinematográfica. Toma-se, para tanto, o filme "Isto Não É Um Filme" (2010), entendendo como uma produção característica das narrativas pós-modernas, marcada pela oferta de sentidos que promete o acesso ao real tanto quanto possível, buscando romper com o tradicional escamoteamento das marcas de enunciação do cinema, ao voltar-se a si mesmo, incorporando os bastidores à trama principal. São analisadas sequências do filme a partir de categorias resultantes de padrões repetição: a) a câmera como elemento intradigético e metanarrativo; b) o mise en abyme, c) O realizador como personagem.
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